Em resumo
- O presente certo se prepara antes: escute, anote e, se precisar, pergunte. Quem recebe aprecia mais o presente que tinha pedido.
- O preço conta menos do que você pensa, e uma experiência para viver costuma aproximar mais que um objeto.
- Pela internet, no Brasil, você tem 7 dias a partir do recebimento para se arrepender; na loja física, a troca de um presente sem defeito depende da loja.
Escute o ano todo
As melhores ideias chegam por acaso, muitas vezes meses antes: «queria experimentar…», «quebrou o meu…», «quero isso há anos». Anote-as logo, ao lado do nome da pessoa, com tamanhos, cores preferidas e coisas que ela já tem.
Depois anote as datas que contam, com um lembrete duas ou três semanas antes. Quando chega o aniversário você não parte do zero: relê a nota e escolhe com calma.
A checklistLista de presentes: aniversários e Natal sem estressePerguntar não é coisa de preguiçoso
Muitas vezes não se pergunta para não estragar a surpresa. Mesmo assim, em cinco estudos de 2011 (Gino e Flynn), quem recebia apreciava mais os presentes que tinha pedido. Quem dava achava que gostariam igual, e pensava que o presente não pedido pareceria mais pensado. Não era assim.
Se a pessoa tem uma lista de desejos, escolha dali: sobra alguma surpresa, porque ela não sabe o que vai chegar. Se não há lista, pergunte a quem mora com ela ou a um amigo próximo.
Uma experiência ou um objeto?
Um show, um curso, um jantar, um passeio. Numa série de experimentos de 2017 (Chan e Mogilner), com presentes trocados de verdade entre pessoas que se conheciam, as experiências reforçaram a relação mais que os objetos, mesmo quando as duas pessoas não as viviam juntas. Contava a emoção sentida enquanto se vivia a experiência, mais que a do momento de receber.
Um objeto continua sendo uma ótima opção quando vai ser usado com frequência. Uma síntese dos estudos sobre presentes (Galak, Givi e Williams, 2016) explica um erro típico: quem dá pensa no momento em que o pacote é aberto, quem recebe em como aquilo vai ser útil depois. Antes de comprar, pergunte-se onde estará esse presente daqui a seis meses.
O preço conta menos do que você pensa
Quem dá tende a acreditar que quanto mais gasta, mais o presente será apreciado. Em três estudos de 2009 (Flynn e Adams), quem recebia não apreciava mais os presentes mais caros. Então fixe um orçamento por pessoa e respeite: um presente bem escolhido vale mais que um caro.
Para um presente importante, proponha fazer em vários: cada um gasta pouco e chega o que a pessoa queria de verdade.
Crianças, colegas e quem já tem tudo
- Crianças: a idade indicada na embalagem não é um julgamento sobre o quanto a criança é esperta, fala também de segurança. No Brasil, brinquedo para crianças de até 14 anos precisa ter o selo de conformidade do Inmetro, com o número de registro, e a embalagem traz a faixa etária. Pergunte também aos pais o que ela já tem.
- Colegas de trabalho: combinem um valor igual para todos, ou façam um presente de grupo ou um amigo secreto, em que cada um tira um nome e dá um presente só. Melhor algo útil ou para saborear do que um presente pessoal demais.
- Quem já tem tudo: uma experiência, tempo juntos ou algo que se consome, como flores ou algo gostoso de comer. Ou, simplesmente, pergunte.
Compre a tempo, e pense na troca
Se você pede pela internet, veja a data de entrega antes de pagar e deixe uns dias de folga. Guarde a nota fiscal e pergunte sobre a etiqueta de troca: se o presente vier com defeito, o produto durável tem 90 dias de garantia legal a contar da entrega (30 dias para os não duráveis), e a garantia do fabricante, quando existe, soma-se a ela.
Na loja física a lei não prevê um direito de se arrepender: se o presente funciona, a troca quem decide é a loja, então pergunte antes de pagar. Para o que você compra pela internet, por telefone ou, em geral, fora do estabelecimento comercial, o Código de Defesa do Consumidor dá 7 dias a partir do recebimento para desistir, sem dar explicações, e você pode fazer isso pela mesma ferramenta da compra. Os dias contam do recebimento: se você compra um mês antes, na data da festa eles podem já ter passado, então veja se a loja dá mais tempo para as trocas. Para estes casos, confira as condições da loja antes de comprar:
- passagens, ingressos de shows e reservas para uma data precisa, como um hotel ou um jantar;
- objetos feitos sob encomenda ou personalizados, por exemplo com um nome gravado;
- jogos, filmes e músicas em mídia lacrada, depois de abertos;
- comidas e bebidas que vencem logo.
O cartão, e uma nota para o ano que vem
Acrescente duas linhas escritas à mão: por que você pensou justo nesse presente, ou uma lembrança de vocês. Dizem o que o pacote, sozinho, não diz.
Depois da festa, anote o que você deu, a quem e como foi. No ano que vem você parte dali, sem se repetir.
Fontes
- Gino e Flynn (2011), «Give them what they want: the benefits of explicitness in gift exchange» — Journal of Experimental Social Psychology (Stanford Graduate School of Business, em inglês)
- Flynn e Adams (2009), «Money can’t buy love»: o preço do presente e a gratidão — Journal of Experimental Social Psychology (Stanford Graduate School of Business, em inglês)
- Chan e Mogilner (2017), «Experiential gifts foster stronger social relationships than material gifts» — Journal of Consumer Research (PDF, UCLA Anderson, em inglês)
- Galak, Givi e Williams (2016), os erros de quem faz presentes — Current Directions in Psychological Science (Carnegie Mellon University, em inglês)
- Lei 8.078/1990 (Código de Defesa do Consumidor), artigos 18, 26, 49 e 50: arrependimento de 7 dias, garantia legal de 30 e 90 dias — Planalto
- Decreto 7.962/2013 (comércio eletrônico), artigo 5: o direito de arrependimento — Planalto
- Inmetro — Brinquedos: o selo de identificação da conformidade (Portaria Inmetro 302/2021)
Texto conferido em 5 de outubro de 2026